Como se perder em...
Como se perder em… Montevidéu

Como se perder em… Montevidéu

De galera e com pouca grana a cidade é acolhedora para se aventurar

Por: João Monteiro

O roteiro de viagem se iniciou de alguns pontos do Rio Grande do Sul até chegar ao Uruguai, passando por Porto Alegre, Pelotas, Bagé e Aceguá. Eramos cinco amigos de longa data e a vontade de expandir a mente e desnudar sentimentos. Nada melhor é claro, que uma viagem “à lá Road Trip”. Numa quinta pela manhã, no carro de uma amiga a estrada já deixava pra trás alguns quilômetros. Muitos assuntos, diversas teorias, vários achares e a ansiedade de viver intensamente esse momento que convencionamos chamar de encontro cósmico, como se fossemos mochileiros das galáxias e prevíssemos o que viria a acontecer.

Montevidéu é um lugar mágico aos olhos dos que amam uma pegada europeia, clima frio, um pouco soturno, pessoas falando espanhol, muito cerveja uruguaia e todas as diversões que o país pode proporcionar. Fomos sem rumo na busca de um hostel que pudesse nos hospedar, e nada, nenhum tinha lugar para nós, pois era feriado no Brasil, (brasileiros por toda parte) então fomos ao Hotel Aramaya, um típico lugar de “Monte”, caído, porém histórico, com cheiro de Uruguai. Situado na avenida principal da cidade. Lá achamos espaço para nossa viagem, um quarto conjugado, sendo um de casal e outro com três camas. Chegamos nos alojamos e pronto, vamos pra rua!

Como não poderia ser diferente andamos pelas ruas, olhamos todas as vitrines, percebemos as diferenças culturais e econômicas nos preços dos objetos à venda. Caiu a noite e fomos a farra. O bar da vez foi o Bluzz Bar, que fica bem próximo do Teatro Solís, que é lindo e tem salas de ensaio e comporta artistas do país em suas produções (dá orgulho de ver um país do tamanho do Uruguai dando tanta importância a cultura), lá no Buzz a pedida era Rock e algumas pitadas de cumbia. De cara fizemos muitos amigos que nos chamavam de brasileiros, de forma genérica, mas muito calorosa. Passamos a noite por lá, no fim fomos escoltados por um couro de uruguaios até o hotel onde recebemos uma serenata. Foi demais.

No outro dia acordar cedo foi um suplício, então resolvemos que cada um faria sua rota e nos encontraríamos mais tarde. Como estávamos próximo a Ciudad Vieja, Silvia, Ane e eu resolvemos dar uma volta e apreciar a história. Tomamos um café onde Galeano se sentava para escrever e ver a paisagem (só isso já valeu a ida a Monte), caminhamos até a beira do Rio de La Plata, onde quase congelamos, pois faz frio no sul. Entramos em livrarias pequenas e cheias de livros e coisas pitorescas. Passamos por feiras e lugares onde se vende tudo, tipo mini mercados, com suas frutas expostas na frente, lindo.

O bom da cidade é que pode-se fazer muita coisa a pé, caminhar e conhecer, analisar a arquitetura, ver gente, fazer amigos. Na manhã seguinte foi dia da feira de Tristán Narvaja, uma feira a céu aberto que ocupa inúmeras quadras da cidade e onde se pode comprar de tudo, desde antiguidades até novidades tecnológicas da china. Em cada casa, cada bar que se passa se ouve um som diferente, entramos num e estava rolando um tango, pessoas dançando ao som do acordeom.

Muitas ruas, muitos prédios, muita coisa antiga e com cheio de passado, inúmeros assuntos, diversas Patrícias, Pilsens e Norteñas e já era hora de voltar de Montevideo. Guardamos, claro, a sensação de termos vivido momentos únicos perdidos pelas calles, seja na busca de um bar com música ao vivo, ou a procura de um pão pro café da manhã. Valeu a pena. Ficou na memória a ideia de que se perder é se achar e de que a raiz de todas as frases é positiva.

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