Atitude

Dançar é original, e natural!

Patricia Passo fala dos benefícios da dança na vida de quem a pratica e como é possível perceber as mudanças.

Por: Patricia Passo

Quando digo original faço referência à origem, à Gênesis humana mesmo. O nosso dia a dia é que é antinatural. Sedentarismo e estresse endurecem corpo e espírito. Expressar-se através do movimento e experimentar física e metafísica conecta a gente com nossas raízes, nossa ancestralidade. Essa dança é muito especial porque está baseada em movimentos circulares, espirais e infinitos. Estas formas geométricas são símbolos da criação. Os movimentos concêntricos são orgânicos remetendo o corpo a sua formação primária.

“Expressar, e flexibilizar são ações imperativas a para uma melhor qualidade de vida. Essa dança te dá ferramentas para isso”, Patricia.

Praticar a flexibilidade no corpo e na mente. Os movimentos ondulares são extremamente sensuais, porque estão em harmonia com as nossas curvas naturais. É muito verdadeiro e a verdade é sensual. Porque a nossa natureza é sexual. Como estamos falando de criação, Gênesis e Orgânico é para todos, por todos e com todos. Eu dou aula para criança, adultos, terceira idade, homens e mulheres. Nossas células são redondas e pulsáteis. Da pra entender então como é profundo ondular e pulsar com todo o seu corpo?

É fundamental para restabelecer um diálogo saudável com a nossa funcionalidade biológica. As danças circulares sempre foram realizadas em todas as culturas para celebrar e vibrar. Imagina ter o conhecimento de ondular o próprio corpo. Nessa dança aprendemos a mexer o corpo por dentro. As culturas orientais mapearam nosso corpo interno, dividido em canais. Nessa dança aprendemos a desobstruir estes canais. Isso é muito poderoso porque cria um vínculo do homem com a sua anatomia. Fragmentamos muito o conhecimento. Aqui não é assim. Aprendemos a expressar desde a verdade do corpo. E essa verdade é biológica. Quando dançamos, nos moldamos psicofisicente. Desde esse lugar se experimenta uma profunda liberdade. Acredito que é essa relação de liberdade dos nossos instintos e desejos que a Cleo sente e fala.

O que acontece com esse trabalho e que é uma proposta unificadora e harmônica. Experimentei os movimentos no meu corpo, não só como uma atividade física mas como uma forma de colocar filosofia em prática. Nossa educação segmenta o conhecimento. É importante entender que tudo o que acontece no seu corpo também está acontecendo na sua psique e vice-versa. Também é importante entender que masculino e feminino são duas caras da mesma moeda. Estamos falando da dimensão de ser. Que deve unificar.

Cleo, Patricia e o entendimento da dança

A Cleo entende isso e bota em prática na vida dela o tempo todo. Ela sabe ser absolutamente feminina, e conhece, e se apropria do seu masculino. Essa é a dança. Desde o começo do processo quis entender os símbolos da história, entender filosofia quando praticava os infinitos no corpo dela. Por isso ela é tão enigmática e sedutora. Porque quando o todo está unificado, fica autêntico, natural e brilha!
Por exemplo, no texto sobre das deusas e bruxas falamos sobre esse aspecto andrógino da mulher. Sim, a capacidade de transmutar de renascer da serpente, a liberdade do pássaro.

A natureza cíclica da lua. Estes aspectos multifacetados nos alertam para como muitas vezes socialmente ser mulher tem conotações reducionistas. Gosto da forma com que a Cleo evidencia isso. Ela se expõe para propor liberdade.

“Nosso projeto é esse. A dança e esse conhecimento ancestral é um veículo para despertar essa aprendizagem. Acho que temos muito que descobrir, porque a cada dia que descubro um lugar novo no meu corpo, também descubro na minha mente. Queremos oferecer essa possibilidade ao maior número de gentes”, Patricia Passo.

A dança é um a linguagem universal apesar das peculiaridades étnicas. Quando você vai fundo percebe que os princípios são os mesmos nas diversas culturas. Então você não precisa ser oriental para entender, vivenciar e se expressar através dessa dança. Sexualidade tabu é abuso de poder, castração e dominação. Nossa natureza é sexual. Na nossa sociedade essa representação toma forma em condutas machistas.

Quando falamos de machismo, falamos de desequilíbrio e desarmonia, não de um confronto homem mulher. Até porque, o machismo também está dentro de nós (isso não justifica condutas violentas contra as mulheres). Existe muita coisa que podemos fazer dentro de nós para as coisas mudarem. Então empoderar-se e resolver essa questão internamente. Entrar em contato com a nossa sexualidade é uma forma de atuar em busca desse equilíbrio.

Empoderar-se e encontrar o masculino e o feminino que existe dentro de cada uma de nós. O mundo que a gente quer viver, começa no nosso mundo interno. A Cleo se expõe para mostrar para muitas mulheres que é possível.

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