Experiências
Grupo de teatro Piollin Completa 40 anos

Grupo de teatro Piollin Completa 40 anos

Festival de teatro em comemoração ao grupo paraibano acontece de 19 de janeiro até 10 de fevereiro

A companhia paraibana começa em 1977, quando um grupo de atores ocupou salas abandonadas do convento Santo Antônio, na cidade de João Pessoa, conquistando um lugar para o desenvolvimento de atividades de estudo e de produção de teatro. Iniciava-se, assim, a Escola Piollin, fundada por Luiz Carlos Vasconcelos, Everaldo Pontes e Buda Lira, um núcleo de atores que, além da preocupação com a pesquisa e experimentação cênicas, atuou incisivamente no campo da formação de crianças e adolescentes, tornando a escola um ponto de convergência da chamada produção cultural alternativa, entre final da década de 1970 e início da década seguinte. Integram o Piolllin, duas organizações interdependentes: o Centro Cultural Piollin (antiga Escola Piollin) e o Piollin Grupo de Teatro. A primeira organização atua na área de arte e educação, além de administrar três dos quatro imóveis que integram o Piollin.

O Piollin Grupo de Teatro tem se dedicado cada vez mais intensamente à sua atividade artística. A partir de 2005 a Escola Piollin passa a denominar-se Centro Cultural Piollin e segue dando continuidade aos projetos pedagógicos. Quarenta anos depois O Piollin mantém suas atividades de pesquisa cênica e estende seus projetos pelo Brasil. Em comemoração aos anos dedicados a arte teatral, de 19 de janeiro até 10 de fevereiro, acontece o IV Festival de Teatro, ao todo serão sete espetáculos a passarem pelo projeto, com a presença de grupos convidados da cidade de Natal-RN, Fortaleza-CE, o trabalho solo e oficina da atriz Raquel Rocha e também com duas produções do ator e diretor do grupo João Paulo Soares. Os convites à preços populares tem o intuito de tornar a arte democrática e acessível a todos.

Espetáculo A Gaivota (alguns rascunhos)
Espetáculo A Gaivota (alguns rascunhos)
Direção: Haroldo Rego
Foto: Adalberto Lima

Em entrevista o ator e fundador do Piollin, Buda Lira, que recentemente participou do filme Aquários, que movimentou o cenário artístico e político nacional fala um pouco sobre a criação do grupo e as expectativas para mais longos anos de produção artística. Para Buda o grupo significa um importante núcleo de experimentação de teatro, mas principalmente um espaço necessário à formação de agentes nas áreas de gestão e produção cultural, justamente porque tem insistido em encarar os desafios de ampliar o acesso ao conhecimento, as formas de expressão e de comunicação em áreas que a população em geral não tem proximidade: artes cênicas, a produção local de música, cinema, etc, que ainda não se propaga nos médios e grandes meios de difusão. Principalmente por parte de setores sociais com maior dificuldade de ter acesso a produção cultural aos meios de expressão.

Para o fundador o grupo apresenta três momentos distintos durante os 40 anos, o primeiro, inaugural, que vai de 1977 a 1990, o segundo, de 1992 a 2006 e um terceiro, que veio a partir de 2006 e que segue até agora. Essa fase que intitula de inaugural, esteve muito ligada ao momento de rupturas, busca por um espaço mais livre de expressão, em que não havia exigências externas, cobranças – ou um tipo de cobrança que se faz hoje, seja interna, seja de fora.

“Então, o grupo pode fazer o que bem entendia e tinha como horizonte os parceiros mais próximos: grupos, artistas e público do próprio estado. Foi um momento de muita efervescência do Piollin na cidade de João Pessoa com repercussão nas cidades próximas da Paraíba”, afirma Buda.

Buda Lira Filme: Aquarius Direção: Kleber Mendonça Filho
Buda Lira
Filme: Aquarius
Direção: Kleber Mendonça Filho

Depois veio a etapa que foi marcada pela produção do espetáculo que deu grande projeção ao grupo: Vau da Sarapalha, direção de Luiz Carlos Vasconcelos. A Cia fixou-se nesse trabalho que teve uma demanda enorme de apresentações enorme. Até tentou retomar outros estudos, mas acabou focando nessa encenação e os seus desdobramentos para cada integrante desse espetáculo.

A partir de 2006, numa virada absolutamente espontânea, o grupo encenou a “Gaivota (alguns rascunhos)”, fruto do encontro casual com o diretor Haroldo Rego, por intermédio do ator João Paulo Soares. Com esse espetáculo, o grupo se insere no bom momento que viveu o incentivo à cultura nesse período que se estende até 2014, participando de diversos editais, circulando pelo país. Ainda montou um segundo trabalho com Haroldo – “A Pá”. Como resultado da participação no edital de manutenção de grupos da Petrobras, o grupo encenou em 2010/2011, o espetáculo Retábulo com direção de Luiz Carlos Vasconcelos.

Luiz Carlos Vasconcello e Cleo Pires em cena do filme O tempo e o Vento de Jayme Monjardim
Luiz Carlos Vasconcello e Cleo em O Tempo e o Vento de Jayme Monjardim
imagem de internet

Luiz Carlos Vasconcellos fundador do grupo Piollin, apresentou em Niterói o processo teatral com textos de Ariano Suassuna, sob direção de outro ator da cia que vem se destacando no cenário brasileiro como diretor e encenador, João Paulo Soares, que durante o festival apresentará seu novo espetáculo, tendo Buda Lira no elenco, junto de novos atores – Paulo Henrique Pontes e Geyson Luiz, os quais Paulo vem trabalhando ao longo do processo cênico do espetáculo 503. Para 2017 ainda pode-se esperar mais Piollin, da segmentação do grupo, considerando os diferentes desejos e necessidades de cada um, Buda Lira, Haroldo, João Paulo Soares e Raquel Rocha (atriz convidada) estão experimentando um novo projeto de encenação que iniciou o processo em novembro no Rio de Janeiro.

“Gostaríamos de contar com mais pessoas que fizeram parte dessa história toda, mas tivemos que ajustar o evento ao momento. Mas, muitos felizes por poder manter esse festival e contar com pessoas e grupos bem especiais. Temos ainda a possibilidade de realizar um seminário sobre arte e educação, reunindo algumas das experiências valiosas nesse campo, junto com reedição do Festival de Palhaços, que o Piollin vem em períodos espaçados de sua história”, salienta Buda Lira.

Banner do evento Piollin 40 anos

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