Atitude
Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais

Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais

O mundo está chocado com as notícias de campos de concentração e tortura de homossexuais envolvendo países da antiga União Soviética.

Imaginem se uma frase dessas passa a ser lida como algo normal: “Se tais pessoas existissem (homossexuais) na Chechênia, a lei não teria que se preocupar com elas, já que seus parentes teriam os enviado a um lugar de onde nunca voltariam”. Essa frase assustadora se refere a perseguição aos homossexuais que vem acontecendo na Chechênia e que recentemente veio à tona para o mundo.

Em março desse ano o jornal russo Novaya Gazeta, publicou que dezenas de homens com idades entre 16 e 50 anos foram detidos devido sua orientação sexual não tradicional, ou suspeita disso. Eles foram presos e torturados. Pelo menos duas pessoas haviam sido mortas por suas famílias devido a sua sexualidade. O nível de homofobia na Chechênia é alarmante e tem chamado a atenção internacional.

Após denúncias foi tomado conhecimento mundial de que lá existem campos de concentração para homossexuais. De acordo com depoimentos as vítimas são pegas de surpresa e levadas para esses locais onde são espancadas por policiais e até mesmo por outros presos, com o intuito de represália devido sua sexualidade. Algo que não deveria servir de motivo para tal, ou melhor, nada dá o direito à tortura e espancamento de pessoas. A sociedade chechena é extremamente conservadora, fundamentalista e homofóbica, os violentos conflitos separatistas nas últimas décadas, ocorridos no governo de Ramzan Kadyrov, um líder autoritário que tem sua própria milícia privada e é bastante leal ao presidente da Rússia, Vladimir Putin são recorrentes e aterradores. Em comunicado, o porta-voz de Kadyrov, Alvi Karimov, disse que os relatos de detenções eram “mentiras” e afirmou que homossexuais “simplesmente não existem na república”.

Ativistas LGBT se abraçam em meio a manifestação | Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais
Imagem: Ruslan Shamukov/ITAR-TASS/ZUMAPRESS.com

A perseguição

Um jovem ex-presidiário, em depoimento ao jornal britânico The Guardian reafirmou as denúncias. Ele descreveu que foi chamado para uma reunião, por um conhecido, e ao chegar no local foi pego por policiais e levado. A reunião nada mais era que um emboscada que o levaria ao centro de tortura. Segundo ele ao chegar ao local haviam seis pessoas uniformizadas afirmando que ele era gay. Ele foi colocado numa cela onde foi espancado, no local haviam mais 30 pessoas.

“Pessoas diferentes entravam e se revezavam em turnos para nos espancar. Algumas vezes, traziam outros presos, a quem diziam que éramos gays e ordenavam que eles também nos batessem”, disse Adam (nome fictício do jovem) ao jornal The Guardian.

Depois de vários dias foram liberados e voltaram para suas casas e familiares. Alegria e salvação? Só que não, a situação continuou difícil, pois agora os pais sabiam da orientação sexual e deveriam agir para manter a honra da família, o que significa ser morto.

Militante LGBT é carregado por policiais | Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais
Imagem: Maxim Shemetov

Guerra santa

Segundo a jornalista Elena Milashina, que concedeu entrevista à BBC falando das torturas, mais de 15 mil religiosos e altos membros da sociedade chechena se reuniram na maior mesquita de Grozny para anunciar o que chamaram de jihad, ou guerra santa, contra ela e outros jornalistas do jornal Novaya Gazeta. “Anunciaram que as pessoas e o jornal que escreveram sobre esse assunto destruíram a honra da nação e deveriam enfrentar a Justiça”, disse.

Apelos mundiais foram mandados ao presidente russo Vladmir Putin, no entanto nenhuma solução foi tomada. A Chechênia mesmo fazendo parte da Rússia é autônomo e muitas vezes as decisões tomadas por Kadyrov, Alvi Karimov passam por cima de Putin. Dessa vez nem houve discussão sobre poder ou deveres, um porta-voz do presidente Vladimir Putin declarou que não tinha informações sobre as acusações feitas pelo jornal ou pelos ativistas, mas aconselhou os que tivessem reclamações que “entrassem em contato com as autoridades”.

Putin é conhecido por sua forma hostil de lidar com a comunidade LGBT no país. Desde 2013, o governo tem uma lei contra a propaganda gay, impondo severas restrições às expressões públicas dessa comunidade. Atitude conivente com a forma drástica que o líder checheno tem tomado contra os homossexuais.

Putin e líderes da Igreja Ortodoxa Russa | Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais
Reprodução da Internet

É preciso fazer algo!

Aqui são pequenos relatos e um pouco do que vem acontecendo na Chechênia e que não podemos, não devemos e não vamos fechar os olhos. ONGs espalhadas pelo mundo, líderes, celebridades e muitas pessoas ligadas ou não aos direitos humanos vem se pronunciando nas redes sociais pedindo visibilidade mundial a estes casos dos campos de concentração.

Uma campanha para chamar a atenção para o caso foi lançada mundialmente. Por meio da hastag – #Kiss4LGBTQrights. São postados nas redes fotos de beijo entre pessoas LGBT e quem é a favor da causa. A postagem é acompanhada de uma marcação de localização no Kremlin em Moscou. É simples participar, é só beijar, fotografar, usar a tag e marcar a localização citada. Não podemos deixar que esse tipo de atitude se espalhe pelo mundo, os direitos humanos devem ser garantidos independentes de orientação sexual, religiosa, política ou social.

Laerte e João, artistas e ativistas da causa LGBT, se beijando | Precisamos falar sobre a Chechênia e a perseguição aos homossexuais
Reprodução da Internet

*Crédito da imagem do post: REUTERS: Alexander Demianchuk

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