Experiências
Reinaldo Eckenberger – Uma Poética do Excesso

Reinaldo Eckenberger – Uma Poética do Excesso

O universo único do argentino radicado na Bahia tomam conta da Caixa Cultural no Rio

A estranheza da exposição e a criação de um universo onírico próprio é delicioso na mostra Reinaldo Eckenberger – Uma Poética do Excesso, na Caixa Cultural no Rio até 4 de março. Como se entrássemos num mundo único e cheio de referências. Diversos artistas construíram uma estética própria e um mundo para sua arte, um local onde ela habita e emerge. No cinema Tim Burton é um ótimo exemplo estético, onde cenários, figurinos, estereótipos se fundem e criam um universo único. Na arte visual pode-se citar o universo de Bottero, que também se mostra bem construído e único, existem ainda inúmeros artistas assim, que o universo particular é algo grandioso e repleto de significados.

Reinaldo Eckenberger - Uma Poética do Excesso
Foto: João Monteiro

Depois de passar pela Caixa Cultural Salvador chega ao Rio para celebrar os 50 anos da trajetória no Brasil do multiartista argentino radicado na Bahia Reinaldo Eckenberger. A exposição traz um panorama das diversas fases e linguagens de Eckenberger, com curadoria da jornalista e mestre em artes visuais Luciana Accioly e do poeta e editor Claudius Portugal.

Pensada como uma grande instalação que esbanja criatividade, a mostra traz mais de 500 itens, como assemblages, bonecos de pano, estofados e objetos híbridos, entre outras obras de arte, ligadas pelo conceito do excesso. Tanto na poética quanto na carreira de Reinaldo Eckenberger, o excesso é um princípio definitivo que opera em todas as fases, linguagens e suportes utilizados pelo artista. Assim, a montagem da exposição aposta no acúmulo exagerado de obras, de forma a traduzir as ideias de desmesura e desmando.

As diferentes fases de sua obra não são organizadamente dispostas. Convivendo no mesmo espaço, linguagens, técnicas, suportes e materiais distintos estão integrados. Os objetos híbridos são acumulados em suportes diversos, como uma mesa de jantar e um tabuleiro de xadrez com lajotas brancas e pretas.

Reinaldo Eckenberger - Uma Poética do Excesso
Foto: João Monteiro

“Cenas de sexo oral, carícias íntimas, perversão, além do fetiche por elementos como o pênis, a língua em riste, o nariz em forma de falo e os olhos expressivos são recorrentes nos desenhos, pinturas, gravuras, cerâmicas, objetos e trabalhos em tecido de Eckenberger”, diz Luciana Accioly, que obteve mestrado em artes visuais na Universidade Federal da Bahia (UFBA) com a dissertação A Poética de Trapos de Reinaldo Eckenberger.

Um certo toque barroco emana da arte de Eckenberger, as quinquilharias, a sobreposição de peças, a desconstrução e criação de novos objetos, a opulência, e a degradação criam um ar muito próprio que vai do kitsch o luxo sem perder a essência. Ao passar pelas instalações e adentrar nesse mundo acaba-se por lembrar de Hieronymus Bosch e seu Jardim das Delícias. Cada qual com seu jardim, cada um com suas delícias, mas ambos e todos com seus mundos próprios, únicos e que dialogam algum ponto entre si, já que a raiz artística vem do inconsciente coletivo comum. A partir daí, sua poética excessiva, tributária das vanguardas dadaístas, expressionistas e surrealistas.

SERVIÇO
Mostra Reinaldo Eckenberger – Uma Poética do Excesso
Caixa Cultural – centro do Rio de Janeiro
Data: 03/01/2017 a 04/03/2017
Horário: Terça-feira a domingo, das 10h às 21h.
Local: Galeria 1
Entrada Franca

Reinaldo Eckenberger - Uma Poética do Excesso
Foto: João Monteiro
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