Atitude

Sobre crochê, caveiras e igualdade

A arte de Leandro Dário e a busca da desconstrução em intervenções urbanas

Somos todos caveiras: Aplicação em grade
Acervo do artista Leandro Dário

Dentro de um museu, na rua, numa árvore, nas pirâmides, pendurada num gato, na minha orelha, no pescoço de alguém, enfim, no mundo. Não tenho lugar específico pra por minha caveira, amarro onde espero que elas fiquem presas, afirma Leandro Dário, 33 anos, multiartista, como prefere se definir, sobre seu projeto de street art Somos Todos Caveira.

Sobre intervenções Urbanas

As intervenções urbanas surgiram há mais ou menos 2 anos. Leandro sempre teve o desejo de pôr sua arte na rua, mas não tinha estudado a fundo uma forma de arte de rua pra saber quais tipos de intervenções poderia realizar, chegou a tentar o grafite, mas não foi sua praia. Foi quando conheceu o coletivo agulha, e lá percebeu que poderia fazer street art com o crochê que aprendera com a mãe. Eu poderia começar a trazer isso pra rua, e mostrar um trabalho diferente de outros trabalhos nas ruas, e interagir com eles. Daí criei somos todos caveiras e comecei a fazer as caveiras de crochê, fala Leandro.

Somos todos caveiras: Aplicação em poste
Acervo do artista Leandro Dário

A primeira caveira de crochê foi colocada no Largo da Batata. Ressalta que ao ver as pessoas fotografando a intervenção artística pensou que aquilo era significativo e tinha que ir além. Foi quando conseguiu linkar tudo, dentro de seu projeto de quebra de gênero binário, então rolou uma união do símbolo da caveira, da efemeridade, igualdade, respeito as diferenças e o negócio foi ficando grande. Com o projeto Desperados, vídeo sobre sua arte, foi entrevistado por Fernanda Young, estourou, e hoje é um dos seus projetos mais conhecidos.

Sobre crochê e memória

O crochê tem um valor sentimental muito grande. Tem a valorização do feito à mão, do carinho, fazer pensando no que se quer dizer e as pessoas sentem isso, e claro tem esse resgate do afetivo da mãe, da avó, da família. Quanto ao temas que trabalha na sua pesquisa, consegue trazer pro universo familiar assim, as pessoas se sentem mais confortáveis em receber aquela mensagem e repassá-la. Para Leandro a memória tem muito a ver com o seu projeto, a instalação no momento natural. Eu posso estar indo comprar pão na padaria e achar que eu tenho que por aquela caveira ali, ou em lugares especiais que eu viajei, em pessoas, coisas, enfim, pontua.

Somos todos caveiras: Leandro Dário instala uma de suas obras de croché em torno de uma árvore
Acervo do artista Leandro Dário

Sobre arte

Multiartista por definição, atuar de diversas maneiras na arte contemporânea depois de todas as escolas presentes na história da arte é um prazer. Viver um momento onde tudo é permitido na arte, no entanto entender que a arte não é só a materialização de alguma coisa imagética ou escultural, mas é um pensamento, a pesquisa poética de um artista é a arte dele. Leandro começou com desenho, foi pra escultura, agora uniu tudo em projetos variados ligados por sua pesquisa- street art, fotografia, bordado, escultura, moda, design, utilizando diversos suportes para expressar-se conforme necessário para passar sua mensagem.

Somos todos caveiras: Instalação em poste próximo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro
Acervo do artista Leandro Dário

“A arte pra mim é transformadora, ela age tanto na pessoa que cria quanto nas pessoas que estão recebendo esta arte. É uma linguagem, uma maneira de você expressar as coisas que você está sentido, como você pensa e como você encara a vida. A arte é importante pra poder dizer o que eu penso, as minhas lutas, as coisas que eu acredito, muitas vezes as pessoas não estão dispostas as palavra, uma cartas ou textão de facebook, mas minha arte eu consigo dizer ciosas que as pessoas se dispões a entender ou refletir sobre. Transformação, entendimento, tentar melhorar você e o outro”, Leandro Dário.

Somos todos caveiras: Aplicação em coqueiro na praia
Acervo do artista Leandro Dário
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