Dançar é original, e natural!

Patricia Passo fala dos benefícios da dança na vida de quem a pratica e como é possível perceber as mudanças.

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Todos precisamos falar de FEMINISMO

Que vivemos numa sociedade patriarcal e machista isso já sabemos há muito tempo. Social e politicamente a estrutura em que nos inserimos, salvo algumas culturas, é extremamente patriarcal, comanda por homens e para homens. O feminino vem desde sempre sendo posto como algo aquém, a mulher entra como geradora enquanto o homem provedor, podíamos falar isso na época das cavernas, ou no período paleolítico. As coisas vem mudando, os papéis vem se modificando, muitas vezes se invertendo.

As mulheres vem ocupando seu espaço de forma lenta e gradativa, no entanto, de um período para cá o feminismo trouxe um frescor a essa busca gerando novas percepções. Reenquadrar a mulher socialmente a retirando das sombras do homem e pondo-a como ser integrante da sociedade, possível de tomar decisões, gerir grandes empresas, falar por grandes causas, assumir riscos e responsabilidades, tem sido um dos maiores focos.

Seios com mamilos censurados, com a legenda "FREE THE NIPPLE" (liberte o mamilo, em tradução literal) | Todos precisamos falar de FEMINISMO
“Libere o mamilo”, em tradução literal
Reprodução da Internet

Já é possível ter mulheres em cargos de chefia, e em posições de igualdade com os homens. Opa, eu disse igualdade! Isso, mesmo com modificações e maior abertura de espaço para as mulheres, falta muito para que haja igualdade, mesmo que ocupem cargos de chefia ou destaque, receberão menos que os homens, e por muitas vezes, podem não ter tanta colaboração e credibilidade. É preciso queimar muitos sutiãs ainda para que se tenha, de verdade, uma igualdade entre os gêneros.

O feminismo como é visto e praticado hoje tem gerado muitas discussões ótimas sobre essas questões e também grandes quebras de paradigmas. Por mais descontruídos que sejamos, homens e mulheres, ainda está imbuído em nós, em nossa construção social, nosso inconsciente coletivo, o machismo e o patriarcado. Para que possamos desprender dessas velhas máximas é necessário muito embate e debate para que mudanças reais aconteçam.

Se pensarmos na liberdade dos corpos, o homem sai na frente em disparada, já as mulheres são acometidas a regras sociais impostas que não fazem o menor sentido, como: usar saia até determinado idade, senão fica feio; não usar tal roupa, para não chamar a atenção; ser submissa; atenta aos deveres do lar; ou seja, às mulheres são atrelados muitos conceitos machistas. E esse discurso muitas vezes é repetido, sem querer, por mulheres, mesmo sem saberem o motivo, pois é algo que já trazem consigo. Essa desconstrução é necessária.

Mãos pintadas em diferentes tons de rosa, simbolizando o feminismo
Reprodução da Internet

A liberdade do corpo feminino é vigiada, isso precisa parar de acontecer. A partir daí surge a ideia da campanha Free the Nipples na busca pela igualdade de gênero nomeada após o filme Free the Nipples, de Lina Esco (2014), de mesmo nome. A campanha afirma que às mulheres e aos homens deveriam ter a mesma liberdade e proteção em termos legais. O movimento promove a igualdade de gêneros e se opões a objetificação sexual imposta a mulher por meio de seu corpo.

Indo ainda mais a fundo, fora o corpo existe a idade, como se a mulher tivesse um prazo de validade, já o homem quanto mais velho melhor. Em casos onde elas tema mais idade que o parceiro ainda soa estranho, enquanto eles, nada, é normal. Precisamos muito repensar inúmeras coisas, levar as discussões a público, a escolas, debates, é necessário falar sobre feminismo.

Ativista do movimento feminista sendo presa | Todos precisamos falar de FEMINISMO
Reprodução da Internet
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Não ao MACHISMO!

Ser mulher ainda é um desafio social, ainda mais no universo acadêmico onde o maior número de doutores, mestre e PhD’s são do gênero masculino. Velado ou não ainda se pode ouvir pelos corredores das universidades que alguns cursos são de homens e outros de mulheres, como se nesse século ainda fosse possível repetir o discurso errado de outras gerações. Pois é, não há distinção, todo mundo deve e pode estudar o que quiser.

Pensemos nas meninas, mulheres, dos cursos de engenharia, local altamente masculinizado, foquemos em especial no faculdade de engenharia da maior universidade do país, a Universidade de São Paulo (USP). Preconceitos como machismo, descrédito, assédio, são atitudes que essas mulheres enfrentam diariamente. O modo que elas encontram para se unirem contra essas agressões é que foi, de certa forma, surpreendente.

As alunas da Escola Politécnica da USP decidiram gravar uma versão do vídeo “Survivor”, música das Destiny´s Child, banda em que surgiu a Beyoncé. Na canção a força feminina é ressaltada, firmando a independência das mulheres. Para o vídeo elas criaram a sua versão para música, na regravação de Clarisse Falcão. O vídeo já alcançou mais de 280 mil visualizações no YouTube, as estudantes dublam a canção mostrando objetos e apagando discursos de ódio pintados pelo corpo.

O projeto do vídeo “Survivor”, fez parte da gincana de integração que acontece geralmente na Poli. Uma competição entre os centros acadêmicos, nela os estudantes devem cumprir uma lista de itens, como caça ao tesouro e uma peça de teatro. O intuito da gincana é integrar os centros acadêmicos entre si e também com os bixos às suas determinadas engenharias. Segundo Daniella Gigliotti, 25 anos, Engenheira Ambiental, o processo de acolhida da universidade vem sendo modificado, passando a ser menos machista que nos anos anteriores.

“O pessoal que organiza tem um esclarecimento bem maior sobre o assunto e entende que algumas coisas podem ser machistas, racistas e homofóbicas apesar do “carácter jocoso da competição. É muito legal ver essa mega evolução na competição em que os alunos se divertem sem precisar dessas piadas infames”, afirma Daniella.

É preciso refletir sobre assédio e machismo!

Cada menina que participou foi convidada para representar uma situação de machismo que tenha sofrido dentro ou fora da Poli, levando objetos ou algo que significasse o que haviam passado. A ideia era cada uma compartilhar suas histórias. “É legal a gente entender que certas coisas acontecem com pessoas que são próximas da gente, que a violência é uma coisa super presente, não acontece só com quem mora em favelas, não tem lugar pra acontecer”, diz Catherine Miyazaki, 24 anos, Engenheira Civil.

Foi fechado um estúdio onde só entravam as meninas para que pudessem gravar o vídeo de forma confortável, o que gerou maior troca sobre a causa e percepção sobre o quão grande e tradicional é esse machismo, que muitas vezes está inserido dentro de discurso acadêmico. O preconceito é velado, mas agem como não tivesse, diz Catherine ao falar da vez em que disseram a ela que havia sido aprovada numa matéria com nota alta soba a legação de que o professor era homem.

Catherine sorrindo segurando bola de rugby | Não ao MACHISMO!
Catherine Miyazaki

Para Danielle Gazarini, 28 anos, Engenheira Civil, o estúdio montado foi essencial para que elas ficassem confortáveis e pudessem passar toda emoção daquilo que viveram. “Acho que nem nós esperávamos que isso fosse nos unir tanto, foi muito forte ver que aquelas que convivem conosco todo dia, passam por coisas semelhantes”.

No entanto ainda é cedo afirmar que o vídeo teve impacto nas pessoas que dizem não existir o machismo, ainda é cedo pra ver esse tipo de resultado nesse tipo de pessoas, mas com certeza o vídeo teve impacto gigantesco entre as mulheres da Poli, pois uniu demais, não só as que participaram do vídeo, mas todas que convivem e se sentiram de certa forma parte do projeto, ressalta Danielle.

Danielle sorrindo borrando escrito no peito | Não ao MACHISMO!
Danielle Gazarini

“O Vídeo fez as pessoa pararem pra pensar que toda essa coisa de violência contra a mulher não é picuinha, de fato acontece. Não tem endereço e não tem hora, pode acontecer com qualquer uma de nós, e não tem isso de a mulher dar chance de acontecer. Independente da roupa que ela tá usando o lugar onde ela tá andando. Pararam pra refletir um pouco isso, que pode acontecer com pessoas próximas, que poderia ser a mãe, a irmã, e pararam pra pensar sobre o preconceito velado. O quanto falam e o que elas falam, e passaram a entender que é ruim de ouvir”, Catherine.

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