Como se perder em… Punta del Diablo (Uy)

Por: Anelise Fernandes O balneário fica à 50 km do Chuí (última cidade ao sul do Rio grande do Sul), reza a lenda que o nome se deu em decorrência dos inúmeros naufrágios que ocorriam na região, onde misteriosamente navios piratas naufragavam sem motivo aparente. Hoje em dia, o lugar está mais para coisa de […]

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Como se perder em… Índia

Por: Guilherme Larrosa

Uma curiosidade sem tamanho abraçada em expectativas de mudança e reconhecimento pessoal, ânsia de uma nova descoberta, novo continente, nova cultura e nova jornada. Começo a mochilada pela Índia, dividindo experiências de vida, cidades, deserto, florestas, pessoas, cores, comidas, e tudo que um taurino ansioso por novidades precisa.

Definir a Índia em uma palavra, acredito que a mais próxima seja intensidade. Nos cheiros, sabores, comportamento, riqueza, pobreza, afeto e desafeto. É um país mágico, místico, cheio de crenças e ritos – onde todas as cerimônias espirituais agradecem ao todo, ao Bhrama, a energia que rege nosso planeta, sem ter que pagar nada por ele, nem comprar folhas sagradas, muito menos água destilada por Vishnu. Tudo livre, for free, todo dia, em cada respiração somos abençoados pela vibração de estar vivo.

Esqueça seus costumes e sua realidade ocidental. Você está em outro continente que tem outros padrões de comportamento e educação. Não julgue nem cobre o que você está acostumado a receber. Fila indiana é mito, o que acontece é um bolo de gente se acotovelando e te empurrando, mesmo que você tenha 70 anos.

Se formou uma fila normal, esteja preparado porque vai ter indiano com bafo quente na nuca, completamente grudado atrás de você. Não existe um limite de espaço. Tudo aos gritos, eles vão insistir em tudo, nas compras, na comida e até para ter um encontro. Não sabem o que significa não. Claro, estou generalizando, mas a grande parte das pessoas que lidei, tive o mesmo problema.

Eu sabia que não seria fácil estar na Ásia, barreiras linguísticas e culturais presentes a todo momento contribuíram para os perrengues diários, Mas nada que boa vontade e mímicas trocadas por sorrisos não funcionassem.

Cheguei no hotel, capotei na cama e quando abro os olhos, lá está minha primeira impressão do novo país, 98% de homens na rua, todos sentados no chão, na terra, com suas roupas anos 70, tomando seu masala chai no meio das vacas e do lixo espalhado pelas ruas como fosse grama. Não nego que levei um choque de realidade quando andei pelo bairro que estava hospedado, era um bairro simples, porém perto de bairro mais badalado de bolywood.

Nunca tirei tanta selfie na vida, as vezes penso em quanta gente espalhada no mundo tem uma foto onde eu apareço por engano, no fundo da foto ou então agora, como convidado. Hoje eu sinto como é ser celebridade no mundo poser. A cada dia, acredito que umas 5 pessoas pedem pra tirar fotos comigo, se eu cobrasse 20 rúpias como os “sacerdotes” cobram, já pagava minha viagem. Os gringos são sucesso aqui.

Quase dois meses, praticando o celibato – não por opção, mas por falta dela, eu troquei o sexo pela manga. Ser gay na Índia é ilegal, então as pessoas além de estarem sucumbidas em seus armários, não conseguem fluir sequer uma paquera. Já as mangas, na sua maior potência de doçura na temporada do calor, me dão os melhores momentos de prazer enquanto eu as como sentado, no meu canto. Ainda mais agora, que aprendi como comer manga sem deixar metade da fruta na barba e bigode.

Volto pra minha vida real com uma experiência de valores, de viver o presente acima de tudo, de ver o quão intensa é a vida para ser planejada por muitos detalhes ou perdida com tantas reclamações pequenas e medíocres. O simples faz toda a diferença, o fato é aceitar as mudanças, mesmo não concordando com elas. A Índia acordou a minha divindade que existe dentro de nós.

 

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